
Em um mundo onde a velocidade da informação não perdoa erros, a reputação de uma empresa pode ser abalada em questão de minutos e o valor de mercado, despencar junto. Não estamos mais falando de um risco distante ou de uma eventualidade rara. Casos de crises reputacionais, de recalls a incidentes de segurança, mostram que qualquer deslize pode ganhar proporções globais em horas, com impactos duradouros.
É nesse cenário que o papel do jurídico deixa de ser meramente reativo para se tornar parte do núcleo estratégico de qualquer organização. Não basta agir rápido: é preciso agir certo. E agir certo significa antecipar riscos, estruturar protocolos de resposta e proteger ativos intangíveis antes que a tempestade se forme.
O problema é que ainda há quem veja a assessoria jurídica apenas como uma instância de defesa, acionada quando o dano já está instalado. Essa visão é ultrapassada. O jurídico estratégico deve participar da definição de políticas internas, do mapeamento de riscos e até da comunicação em momentos críticos.
Uma gestão de crise eficaz se sustenta em três pilares: planejamento prévio, resposta coordenada e comunicação clara com todos os públicos de interesse. Quando esses elementos estão bem alinhados, não só é possível reduzir danos, como até transformar um momento adverso em oportunidade de fortalecimento da marca.
Em tempos de hiperexposição, confiar apenas na velocidade da reação é ingenuidade. É preciso construir blindagem antes que o ataque aconteça. O jurídico, quando posicionado como parceiro estratégico, deixa de ser apenas “o que apaga incêndios” para se tornar “o que impede que eles comecem”. E essa diferença pode significar a sobrevivência ou o colapso de uma reputação corporativa.
FONTE: https://www.migalhas.com.br/depeso/436942/quando-o-juridico-vira-estrategico-por-que-a-gestao-de-crise-e-vital
