
Muitos empresários, pressionados por crises de fluxo de caixa, procuram o banco em busca de “ajuda” para reorganizar suas dívidas. A lógica parece simples: refinanciar, alongar prazos e garantir mais tempo para pagar.
Porém, a experiência prática revela um cenário bem diferente: na maior parte das vezes, a renegociação é construída para ampliar os lucros da instituição financeira, e não para favorecer a empresa devedora.
Ao assinar sem análise técnica:
A dívida original é refinanciada com juros compostos mais altos do que os já praticados.
O prazo é dilatado, aumentando o custo total final.
São incluídas cláusulas abusivas que podem inviabilizar questionamentos futuros.
Exemplo realista:
Uma dívida de R$ 300 mil renegociada a 3,2% ao mês por 120 meses resulta em mais de R$ 900 mil pagos – sem contar encargos adicionais e multas. Ou seja, a “ajuda” transforma-se em uma bola de neve impagável.
O erro mais frequente dos empresários
A confiança cega no gerente bancário é o equívoco mais comum.
Por mais cordial que pareça, o gerente não defende os interesses da empresa, mas sim as metas do banco.
Ao assinar a proposta sem avaliação técnica:
O empresário pode abrir mão de contestar abusos anteriores.
Deixa de revisar taxas ilegais e encargos indevidos.
Assume obrigações que podem colocar em risco o patrimônio pessoal e empresarial.
O caminho correto:
Negociação com base técnica
Renegociar não significa aceitar a primeira oferta apresentada.
Empresas que contam com assessoria jurídica e financeira especializada têm chances muito maiores de:
Reduzir o valor da dívida de forma significativa – em alguns casos, até 90% de abatimento quando comprovados abusos contratuais.
Suspender judicialmente cobranças abusivas.
Exigir a revisão de cláusulas ilegais com fundamento no CDC, nas normas do Banco Central e em jurisprudência consolidada.
Esse processo exige:
Diagnóstico detalhado dos contratos e evolução da dívida.
Identificação de ilegalidades como juros sobre juros (anatocismo) e tarifas não contratadas.
Estratégia probatória robusta para contestar a cobrança.
Proteção patrimonial preventiva, evitando bloqueios e execuções.
Direitos que muitos empresários ignoram
Mesmo contratos já quitados ou renegociados podem ser revisados judicialmente.
Cobranças indevidas podem ser suspensas até a decisão final.
O banco é obrigado a apresentar planilha analítica do débito, sob pena de nulidade da cobrança.
Quando procurar ajuda:
Se sua empresa já renegociou, mas a dívida continua crescendo.
Se está prestes a assinar um novo contrato de refinanciamento.
Se as parcelas renegociadas estão comprometendo o fluxo de caixa.
Conclusão
O banco sempre estará amparado por advogados, economistas e analistas preparados para proteger seus interesses. O empresário que enfrenta esse cenário sozinho está em desvantagem total.
A dívida, tratada com estratégia jurídica, pode ser o ponto de virada para reequilibrar a saúde financeira da empresa. Mas a pressa e o desespero podem transformar um problema temporário em uma sentença permanente.
Negocie com inteligência. Proteja seu patrimônio. Mantenha sua empresa no controle.
FONTE: https://www.migalhas.com.br/depeso/438985/o-alivio-que-pode-enterrar-sua-empresa-em-um-passivo-triplicado
