
Construir uma empresa é um feito extraordinário. São anos de trabalho, dedicação e sacrifícios que só quem empreende entende. Mais do que um negócio, ela se torna parte da história da sua família, o sustento, o orgulho e o legado que você deseja ver prosperar nas próximas gerações.
Mas existe um desafio que muitos preferem adiar: o planejamento sucessório. E ele é decisivo para a continuidade da empresa.
O desafio das empresas familiares
Os números mostram uma realidade preocupante: mais de 70% das empresas familiares não chegam à segunda geração, e menos de 15% sobrevivem à terceira.
Na maioria das vezes, o problema não é o mercado, a concorrência ou a economia. É a falta de planejamento na sucessão, o momento em que o fundador passa o bastão para os herdeiros.
A sucessão é um processo delicado, que mistura questões empresariais, patrimoniais e emocionais. Quando não é bem conduzida, pode gerar desentendimentos familiares, dificuldades financeiras e até a perda do controle do negócio.
Três dimensões que se cruzam
Uma empresa familiar funciona na intersecção de três esferas:
-
Família – os relacionamentos e expectativas pessoais;
-
Propriedade – a divisão e o controle do patrimônio;
-
Gestão – a administração e a tomada de decisões no dia a dia.
Durante a sucessão, esses três mundos costumam se chocar. É o momento em que surgem perguntas difíceis:
-
Quem vai liderar a empresa?
-
As quotas devem ser divididas igualmente entre os filhos?
-
Como lidar com quem não quer continuar no negócio?
-
E como proteger a empresa de conflitos futuros?
Sem regras claras, as emoções tomam o lugar da razão, e o risco para o negócio aumenta.
Os riscos de adiar a sucessão
Muitos fundadores evitam falar sobre o tema. É compreensível: envolve pensar na própria ausência e abrir mão de controle.
Mas adiar essa conversa pode ser um erro grave. A falta de um plano de sucessão pode colocar em risco tudo o que foi construído.
Além das questões familiares, há aspectos jurídicos e tributários que precisam ser considerados, como o ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação), que incide sobre as quotas da empresa em caso de falecimento do fundador. O valor pode ser alto, e muitas famílias acabam precisando vender parte do negócio apenas para pagar o imposto.
Como planejar uma sucessão segura
A sucessão empresarial não deve ser tratada como um evento isolado, mas como um processo de transição estruturado.
Com o apoio jurídico adequado, é possível adotar medidas preventivas que protegem tanto a empresa quanto a família.
Entre as principais ferramentas estão:
-
Governança familiar
-
Criação de um Conselho de Família para discutir valores, expectativas e papéis.
-
Elaboração de um Acordo de Sócios, documento essencial que define direitos, deveres, regras de entrada e saída de sócios e critérios de sucessão.
-
Instituição de um Conselho de Administração com membros independentes, garantindo decisões mais profissionais e imparciais.
-
-
Preparação dos herdeiros
-
Definir critérios objetivos para participação na gestão (formação, experiência, desempenho).
-
Investir no desenvolvimento dos que têm vocação, e lidar com transparência com os que não desejam seguir na liderança.
-
-
Estrutura societária adequada
-
A criação de uma holding familiar pode facilitar a organização patrimonial, a doação de quotas em vida e a proteção jurídica do negócio.
-
-
Planejamento sucessório formal
-
Um testamento pode definir como se dará a transferência das quotas e a continuidade da gestão.
-
Um seguro de vida empresarial pode garantir recursos para o pagamento de tributos e compensações entre herdeiros, evitando a necessidade de vender a empresa.
-
Por que o planejamento faz diferença
Empresas familiares que investem em governança e planejamento são vistas com mais solidez no mercado, atraem investidores e têm maior longevidade.
Além disso, o planejamento sucessório traz tranquilidade emocional: todos sabem o que esperar, as regras estão claras e o legado é preservado.
Conclusão
Planejar a sucessão não é um sinal de fraqueza, é um ato de responsabilidade e amor.
É garantir que a empresa que você construiu continue gerando valor, empregos e propósito, mesmo após a sua ausência.
Com orientação jurídica adequada e diálogo familiar, é possível transformar a sucessão em um processo de continuidade, e não de ruptura.
Seu legado pode, e deve, ir muito além da sua presença.
FONTE: https://www.migalhas.com.br/depeso/441825/sucessao-na-empresa-como-nao-quebrar-o-negocio-e-a-familia
